quinta-feira, 23 de março de 2017

Dicas do Mester: Sim, e... - improvisação no RPG


Sim, e...
- Improvisação no RPG -

Uma das coisas que mais desafiam os mestres de RPGs é a improvisação. Não importa o quanto de atenção e esmero o mestre tenha colocado na preparação de sua aventura, a beleza da liberdade de ação que o RPG proporciona aos seus jogadores invariavelmente o leva para situações que ele não está preparado ou mesmo que ele sequer tenha imaginado. Trocar de rota, matar um NPC imprescindível, salvar o vilão, beber aquela poção suspeita ou, muitas vezes, coisas ainda mais simples. É loucura imaginar que o mestre pode imaginar tudo, passo a passo, de antemão.

Quando isso acontece o mestre só tem uma alternativa – improvisação. Tudo pode dar erradamente certo em uma sessão de RPG graças ao inesperado e saber como sair desta armadilha espontaneamente criada pelos jogadores possui vários caminhos. Mas a improvisação vai além disso, principalmente em debates atuais. Para muitos a improvisação vem do desenvolvimento constante da cena em que os jogadores estão inseridos. O mestre não precisa que seus jogadores atuem como instrumentos que conscientemente mudam o eixo da história para ter a iniciativa da improvisação. Improvisação seria o uso de cada oportunidade, estimulada pelos jogadores e ou por circunstâncias de jogo, que possibilitem acrescentar elementos à história, a melhorando.

Quero começar confessando que não existe uma fórmula correta, tampouco fácil, para solucionar o momento em que o mestre é pego no contrapé. E isso já começa por um debate que não vem de hoje entre preparo prévio x espontaneidade como ficou claro no parágrafo anterior.

Com propriedade David Nooman, designe da terceira e quarta edições de D&D, diz em um artigo na saudosa Dragon Magazine que “preparar-se para improvisar soa como uma contradição em termos, mas eles são dois lados da mesma moeda”. Para Nooman a preparação é a palavra chave e pode ser sim a saída para um mestre em apuros quando vê sua aventura mudar de rumo. Por outro lado, e uma tendência cada vez mais crescente no meio rpgistico, como em artigos de Shawn Ellsworth, temos a visão de que a boa improvisação conta com a participação narrativa dos jogadores com o mestre servindo como um instigador e moderador de oportunidades.

Existe a fórmula certa? Não, o que existe é a fórmula adequada para seu grupo, sua aventura, e sempre com a intenção de proporcionar um bom e divertido jogo. Eu particularmente prefiro um viés mais participativo trazendo o grupo de jogadores para a posição de contar a história junto com o mestre. Mas uma preparação tem sim sua importância.


Improvisação planejada
Nooman coloca muito de sua improvisação dentro de um quadro de controle do mestre. Devemos ter certos elementos já pensados para que tenhamos facilidade e sobretudo rapidez na resposta às ações dos jogadores. Em seu artigo ele centra sua preocupação com a improvisação sobre questões que os jogadores podem levantar na mesa e que não precisam ser pensadas no momento. Qual o nome do taberneiro, quantas lojas de armas têm na vila, qual a floresta mais próxima ou mesmo o sobrenome da família que controla a cidade. São questões para as quais a preparação prévia pode sim ajudar.

Ele apresenta um método de anotações tal qual uma cola escola presa ao escudo do mestre que confesso ser um pouco confusa, embora tenha seus pontos positivos. O certo é que uma preparação prévia pode auxiliar em muito.

Algumas questões são recorrentemente levantadas pelos jogadores em nossas mesas: nomes, locais, caminhos, distâncias, valores etc. Listas abrangentes com nomes de pessoas e locais, podem nos salvar naquele momento em que ficamos tentando imaginar qual o raio do nome que um taverneiro em uma pequena vila teria. Ou uma lista de nomes que serviriam para locais (se não tivermos um mapa preparado) que podem nos salvar no momento de inventar um nome para o desfiladeiro que fica ao norte da cidade e que os jogadores não precisarão visitar.

Esse tipo de preparação nos economiza tempo precioso para que não percamos o ritmo da cena. Todos sabem o quanto é anticlimax parar uma cena para procurar informações ou pesquisar dados. Ter algumas informações prontas à mão fazem a diferença entre uma pausa desconcertante e enfadonha e uma continuidade adequada. Essas informações podem abranger tudo aquilo que o mestre considere importante para ajudá-lo na manutenção do ritmo da sessão.

Isto é improvisação? Para alguns mestres, como Nooman, sim. E não deixa de estar certo. Seria uma improvisação dirigida, primando pela manutenção da segurança do mestre na condução de sua aventura. Mas esta é uma forma de improvisação que centra-se no mestre. Embora os jogadores sejam os agentes que obrigam o mestre em sair de sua zona de conforto e procurar auxílio em suas anotações, fugindo da linearidade inicial, a improvisação inicia e termina no mestre. Não há muito espaço para uma relação mútua de participação dos jogadores na construção da aventura. Pode-se dizer que é uma alternativa mais conservadora, embora não totalmente errada. Ela mantém os jogadores presos à um certo leque de possibilidades de perguntas e repostas.



Participação e cooperação
Não é de hoje que ouvimos e lemos expressões como jogo de contar histórias quando algo está se referindo ao RPG. A expressão nunca esteve mais certa. Mesmo que seja uma história direcionada por um mestre, o âmago está na emulação de personagens em situações e ambientes imaginários onde sua vivência do todo vem da participação interpretativa dos jogadores e sua relação com o meio (cenário).

Seguindo esta noção a improvisação ganha um caráter complementar, ao mesmo tempo que estimulante, frente aos seus participantes. O mestre tem o papel de, ao mesmo tempo que conduz a aventura, trazer para o jogo a visão dos participantes, improvisando dentro deste conjunto de estímulos o cenário e as ações. Ou seja, há uma troca retroalimentativa (por que não dizer dialética) entre mestre e jogadores em um vai e vem constante, onde o objeto – a história – se constrói paulatinamente dentro de um gerenciamento compartilhado.

Não vou dizer que contrapondo-se a visão anteriormente apresentada, mas com uma noção diferente, a improvisação é aqui vista como também a oportunidade de modificação constante da história, valendo-se da participação dos jogadores. Ao mesmo tempo que o mestre possa ser obrigado a improvisar devido à uma mudança que os jogadores impõem ao eixo central da aventura, sua improvisação pode também ser atuante em pequenos momentos, fragmentos de ações durante uma cena. Ambas improvisações contam com a participação dos jogadores e sempre com o sentido de melhorar a sensação da história que está sendo contada.

Uma das regras para um desenvolvimento de uma aventura de RPG com uma improvisação do mestre, baseada na participação e estímulo dos jogadores, pressupõe que o mestre use cada vez menos o “NÃO”, substituindo-o pelo “SIM, E...”.

Na relação que estabelecemos, como mestres, com nossos jogadores, ainda existe o claro imaginário de que o mestre é o chefe, o detentor da palavra final, o dono do tomo das regras, o árbitro, o juiz... ou seja, o Mestre, com ‘m’ maiúsculo. Um grande número de sistemas de RPG pressupõe a existência de um elemento fazendo o papel de mestre como um árbitro entre ação e possibilidade, além de condutor (no sentido de narrador) da aventura. Mas isso, que deveria ser uma condição que possibilite o transcorrer do jogo, acaba por se tornar um estado que pode representar poder. Como ferramenta para segurança deste mestre o ‘NÃO’ é eficaz ao extremo no que tange à manutenção da ordem programada por ele. Em muitos casos isso não passa de uma possibilidade que o mestre faz uso para manter o trem da aventura nos trilhos, visando chegar ao ponto final.

Dizer um simples ‘não’ aos seu jogador quando este faz um questionamento é extremamente castrador. O ‘não’ bloqueia a iniciativa inventiva de um jogador. Se ele perguntar em meio à um combate avidamente planejado por você em um ambiente fechado – mestre, há um lustre para que eu possa me balançar e cair atrás dos oponentes? – normalmente um ‘não’ encerraria a questão, quebrando toda a ideia criada na mente do jogador. Mas outra resposta – lustre não há, o que existem são vigas que percorrem toda o amplo cômodo e que possibilitariam que você chegue atrás dos seus adversários, mas não será uma tarefa fácil ou um simples claro, por que não – dará nova cor à cena, além de aproveitar uma contribuição do jogador. A improvisação começa quando há aceitação das ideias, construindo assim algo novo, e não só isso, mas ampliando-as. Por isso que o “SIM” é seguido de “E...”. O Mestre apropria-se da ideia apresentada e improvisa sobre ela, criando algo realmente novo e com a participação do jogador.

Essa apropriação e ampliação da ideia não precisa ser esmiuçada e perfeita. Um exagero em preciosismo pode tanto quebrar o ritmo compartilhado entre mestre e jogadores quanto tornar-se chato. Não se preocupe em que a cena tem de ser épica ou perfeita, repleta de detalhes únicos. Isso não é uma batalha sobre quem propõe a melhor ideia ou uma demonstração de que o mestre é realmente ótimo (lembra do que falamos anteriormente sobre mestres/poder?). O óbvio, o feijão com arroz, é muitas vezes a alternativa correta e mais plausível. Uma cena impactante para os jogadores é aquela cena que fica marcada em suas memórias pela emoção e desenvolvimento, e não pelos floreios ou demonstração de pedantismo.

É preciso algum cuidado? Sim. As contribuições devem acrescentar à história ou à ação e a improvisação deve saber como aproveitar esses apartes. O mestre tem um papel de mediador para ponderar quando a contribuição acrescenta sem quebrar desnecessariamente o ritmo ou eixo da aventura, mas mantendo sua mente sempre aberta. É importante não entender errado. Não estou dizendo que de agora em diante nenhum eixo de uma ventura será respeitado e à cada participação dos jogadores tudo começa infinitamente do zero. A improvisação é uma ótima ferramenta para sim manter um eixo central de uma aventura, apenas seguindo um novo percurso, percurso este construído com auxílio dos jogadores. Esta mediação deve sempre pensar no fim máximo do RPG - a diversão de todos.


Sua aventura ou nossa aventura?
Não esqueça: o mestre não é onisciente. Ele não tem como prever tudo que acontecerá, como seus jogadores agirão à cada momento, todas as perguntas que farão, todos os locais e detalhes que procurarão, se estão se divertindo e principalmente, se eles comprarão a sua oferta de aventura. É ilusão achar que se estará preparado para tudo. A questão verdadeira é: como mestre, como você enfrentará essa inevitável dificuldade?

Eu acrescentaria à está pergunta mais uma que o mestre deve fazer-se constantemente: a aventura que mestrarei é minha ou nossa aventura? Esta questão pautará como o mestre encarará a questão da improvisação. Ela será mais restrita ou participativa?

Uma preparação prévia pode ser crucial para uma improvisação mais consistente e divertida no momento necessário e, quem sabe, a chave para uma melhor forma de trazer os jogadores para a construção da aventura. Perceba que não estou dizendo que o mestre tenha que optar entre uma ou outra conforme suas respostas à essas questões. Se analisarmos bem o que foi apresentado, ambas têm ótimos elementos e podem sim serem usadas pelo mestre simultaneamente. Elas podem até mesmo aparentar serem soluções para questões diferentes que surgem em nossas mesas, mas não. Ambas são oportunidades apresentadas (saber apenas um nome ou tomar uma ação de forma diferente) que, conforme a reação do mestre, transforma uma aventura em algo cooperativo em maior ou menor escala.

Vamos transformar todas as aventuras em nossas aventuras.

quarta-feira, 22 de março de 2017

D&D 5E no Brasil - novidade e polêmica


D&D 5E no Brasil
- notícia e polêmica -

Uma notícia importante para o mercado brasileiro de RPG ou uma mancha para o mercado rpgistico brasileiro? Não sei ainda e tentarei noticiar isso tudo de uma forma imparcial até que possamos esclarecer tudo.

A notícia em si, que pegou a todos de surpresa ontem (terça-feira, 21 de março), foi de que finalmente a 5ª edição de Dungeons and Dragons estava chegando ao Brasil em português. A responsável pelo lançamento no país será Fire on Board Jogos em parceria com a GF9, empresa britânica detentora dos direitos de comercialização do D&D em outros idiomas. A empresa brasileira ficaria responsável pela tradução e distribuição no país.

A notícia por si só é muito importante visto que D&D é o sistema mais jogado no país e no mundo, com algumas décadas de presença em nossas mesas. A quinta edição foi lançada em 2015 pela Wizard of the Coast com a surpreendente informação de que eles não pretendiam lançá-la em outros idiomas. E assim ficou pelos últimos quase dois anos. Até ontem, quando a FoBJ anunciou seu lançamento por aqui previsto para o meio do ano, pelo menos do Livro do Jogador.

A polêmica começou alguns instantes após as primeiras notícias da confirmação do lançamento da edição no Brasil. Acusações, respostas e tomadas polarizadas de posição começaram. O que posso garantir em que qualquer que seja o caso, é obrigatória a averiguação até para não manchar os nomes de empresas A ou B.

Para entenderem resumidamente e sem desejar criar polêmica desnecessária aqui (pois não resolveria nada). O prólogo do anúncio do D&D no Brasil teria começado quase um ano antes quando da descoberta da possibilidade de tradução e da ligação. Um conjunto de três editoras nacionais teriam firmado um compromisso, como uma joint venture, e levado adiante as conversações. Em determinado ponto crucial, uma delas teria ‘assinado’ com a GF9 sem o conhecimento das outras. Em resumo isso é o que se filtra de todas as postagens acusatórias de um lado e de outro.

O que realmente aconteceu? Não sabemos com certeza ainda. Muitas dúvidas ainda estão no ar. Desde qual o real papel das editoras envolvidas no caso, quais os critérios de escolha da editora no Brasil pela GF9, até pontos mais ligados diretamente à publicação como qual o conhecimento apropriado da escolhida para uma adequada tradução e lançamento.

O que sabemos é que, como sempre, rapidamente quase a totalidade da comunidade rpgistica brasileira polarizou o caso tomando partido entre os lados de forma passional (nenhuma novidade até aqui) esquecendo por completo o por quê de termos chegado à este ponto de dúvida quanto ao caso como um todo. Seria hilário, se não fosse tão preocupante, os argumentos apaixonados e as declarações de cada lado como se a disputa rendesse pontos para cada participante. Muitos ou não queriam se incomodar com A e B, ou queriam marcar pontos por apoio com eles. Sabemos que muito da relação entre a comunidade rpgistica, seja entre jogadores, seja entre os fanboys e as ‘eminências pardas’, seja entre jogadores e editoras, se dá mais por corporativismo do que lógica e ética. Ninguém quer ficar mal visto com seus ‘amiguinhos’ não importa do lado.

Minha sugestão. Ninguém, além dos próprios envolvidos, sabe o que realmente aconteceu. Então aguarde mais informações antes de levantar bandeiras apaixonadas mais por questões ‘cordiais’ do que por convicção. Ouça mais, converse muito e ouça mais um pouco antes de tomar posição. É importantíssimo separarmos empatia que tenhamos com alguma editora ou sistema de jogo para termos uma visão clara... isso sim importa. Conheço muitos dos vários envolvidos além de também ser um apaixonado pelo sistema, mas isso, de forma alguma, me da carta branca para apoiar irrestritamente qualquer lado que seja.

segunda-feira, 20 de março de 2017

56 Livros de fantasia para ler antes de morrer


56 Livros de fantasia
para ler antes de morrer

Este não é um artigo original, mas é melhorado. Em agosto de 2015 o site Buzzfeed lançou uma lista com 51 séries de fantasia que deveriam ser lidas por todos aqueles que se diziam amantes do gênero antes de morrer. Na época a lista circulou e foi até traduzida parcialmente por um ou outro site. Resolvi então, depois de que Leandro Rodrigues (amigo virtual) me relembrou sobre essa lista, trazê-la traduzida, atualizada e com alguns acréscimos que não poderiam faltar. Pesquisei um pouco mais e acrescentei também informações atualizadas sobre suas publicações no Brasil e por quais editoras aconteceram. Já aviso que algumas obras não chegaram ainda ao Brasil ou foram publicados em Portugal. Quero deixar avisado também que a ordem não é qualitativa... é uma ordem meramente aleatória. Posso adiantar que a pesquisa acabou me fazendo criar uma outra lista em adesão à está que postarei em breve com mais e mais obras.


1. Crônica do Matador de Reis (The Kingkiller Chronicles) por Patrick Rothfuss


Não é um eufemismo dizer que esta é a melhor série de fantasia atualmente em andamento. Já são três livros no momento, por isso é um momento perfeito para entrar e começar. Uma história rica e convincente de ascensão de um jovem brilhante para se tornar um mágico lendário, enquadrado por um presente onde ele é de meia-idade e aparentemente impotente. No Brasil está sendo lançado pela editora Arqueiro e já conta os três volumes traduzidos: O nome do Vento, O Temor do Sábio e A Música do Silêncio.


“Este livro acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida - o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano - os lendários demônios que assassinaram sua família no passado. Quando esses seres do mal reaparecem na cidade, um cronista suspeita de que o misterioso Kote seja o personagem principal de diversas histórias que rondam a região e decide aproximar-se dele para descobrir a verdade. Pouco a pouco, a história de Kote vai sendo revelada, assim como sua multifacetada personalidade - notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame.”


quinta-feira, 16 de março de 2017

Chico Bento: Arvorada ganha preview

Chico Bento: Arvorada
ganha preview


A linha mais emblemática de quadrinhos brasileira na atualidade é sem dúvida alguma a Graphic MSP. Para quem não sabe (pois provavelmente esteve em Marte nos últimos tempos), está linha trás os icônicos personagens de Maurício de Souza, com o belíssimo trabalho do editor Sidney Gusman, nas mãos de alguns dos melhores desenhistas do país repaginando personagens em HQs memoráveis. Ontem tivemos o preview de mais uma dessas maravilhas – “Chico Bento – Arvorada”. Com um traço único e repleto de expressão e cores vivíssimas, as páginas apresentadas são uma mostra de que teremos outra maravilha em mãos. O lançamento está marcado para próxima CCXP Tour em Recife, entre os dias 13 e 16 de abril, pela Panini.

Seriados na Confraria: novo trailer de Deuses Americanos

Seriados na Confraria
Novo trailer de Deuses Americanos


Novíssimo trailer para a adaptação para televisão da obra Deuses Americanos, de Neil Gaiman, foi apresentado hoje pelo canal Starz. A série gira em torno de Shadow, interpretado por Ricky Whittle (“The 100“) que vaga por um Estados Unidos repleto de deuses da antiguidade. No elenco teremos no elenco Emily Browning ("Pompéia"), Bruce Langley ("Deadly Waters"), Yetide Badaki ("Aquarius"), Jonathan Tucker ("As Ruínas"), Gillian Anderson ("Arquivo X"), Crispin Glover ("De Volta para o Futuro"), Pablo Schreiber ("13 Horas: os soldados secretos de Benghazi") e Corbin Bernsen ("Psych"). A estréia está marcada para 30 de abril!


quarta-feira, 15 de março de 2017

Cronograma Jambô 2017... teremos MM 3ed

Cronograma Jambô 2017
...teremos MM 3ªED


O cronograma de lançamentos da editora Jambô foi apresentado nesta quarta-feira. Temos um pouco de tudo como a maravilhosa notícia de que teremos a 3ª edição de Mutantes & Malfeitores (hiperatrasado, diga-se de passagem). Mas como ele eles mesmos dizem na postagem ‘não há ordem de lançamento e ainda podem haver alterações’, ou seja, coisas podem deixar de estarem na lista e outras podem entrar (como já aconteceu com MM). Além da novidade sobre MM, os destaques para mim são o Sem Trégua 4 (Reinos de Ferro), Crônicas de Theda (Dragon Age) e o Patrulha da Noite (Guerra dos Tronos)... Agora só nos resta torcer para que nada mude... para pior!


Arquivos do Sabre
Linha: 3D&T

FF 18 — Sangue de Zumbis
Linha: Livros-jogos

Divinity
Linha: Quadrinhos (Valiant)

Crônicas de Thedas
Linha: Dragon Age

O Trono Usurpado
Linha: Literatura (Dragon Age)

Sem Trégua Vol. 4
Linha: Reinos de Ferro

O Labirinto de Tapista
Linha: Livros-jogos (Tormenta)

Mutantes & Malfeitores 3ª edição
Linha: Mutantes & Malfeitores

Manual dos Monstros
Linha: 3D&T

FF 19 — Bloodbones
Linha: Livros-jogos

Ledd Vol. 5
Linha: Quadrinhos (Tormenta)

Faith
Linha: Quadrinhos (Valiant)

A Patrulha da Noite
Linha: Guerra dos Tronos

FF 20 — Eye of the Dragon
Linha: Livros-jogos

FF 05 — A Cidade dos Ladrões
Linha: Livros-jogos

Rat Queens Vol. 3
Linha: Quadrinhos

Immortality
Linha: Reinos de Ferro

Ninjak
Linha: Quadrinhos (Valiant)

FF 21 — Legend of Zagor
Linha: Livros-jogos

The Valiant
Linha: Quadrinhos (Valiant)

Khalifor Vol. 2
Linha: Quadrinhos (Tormenta)

Império de Jade
Linha: Tormenta

Imagens para Inspirar - a arte de Yamandú Orce

A arte de Yamandú Orce

Gosto muito do traço do desenhista uruguaio Yamandú “Yama” Orce. Simples e claro, seus desenhos são muito representativos das várias classes e tipos de personagens no imaginário do RPG de fantasia. Selecionei alguns para hoje!


Embarque no mundo de NeoGhaluni, da Lampião Games


Embarque no mundo de NeoGhaluni

Novo RPG chegando quentinho galera! É NeoGhaluni, de Diego Bernard e Jorge Valpaços, que será lançado pela Lampião game Studio. Como ele mesmo na forma de subtítulo, NeoGhaluni é um jogo de fantasia heroica urbana. Nele temos várias espécies inteligentes diferentes convivendo após a reconstrução de um mundo devastado por uma guerra entre deuses e homens. Este ‘novo’ mundo vive em tensões... um mundo que você vivenciará com seus personagens. O sistema próprio também é um diferencial ao título e suam facilidade tenho certeza que agradará à muitos.

O lançamento será entre o final de março e início de abril (data exata a confirmar) para venda em formato físico e pdf com 272 páginas (compra do formato físico lhe garante uma cópia em pdf grátis).

Mas não vou tomar o tempo de vocês e vou deixá-los com a belíssima resenha explicando tudo em detalhes!


O que é?
NeoGhaluni é um rpg de fantasia heroica urbana. Aqui temos um rpg no qual os protagonistas são heróis em um cenário próximo ao nosso nível tecnológico, porém em uma terra chamada NeoGhaluni. Neste cenário convivem as mais diferentes espécies inteligentes, passando de humanos e anões - clássicos em jogos de fantasia - até espécies únicas como teshis e loxodontes. Este rpg foi desenvolvido por Diego Bernard e Jorge Valpaços parceiros no desenvolvimento das nuances do cenário, de regras avançadas e da reformulação do sistema de jogo.

Temos um cenário complexo com divisões políticas extensas, com diferentes continentes, países e cidades com suas peculiaridades. Ao lado da descrição do cenário, temos um sistema de simples aprendizado e construção de personagens (com 3 atributos centrais e perícias associadas, com o centro da mecânica sendo o lance de 1d20, eventualmente modificado por d6s).

Um sistema simples, mas com nuances instigantes
Não há variação de dificuldades. Todos testes devem bater o número alvo 12. Mas como isso se dá? Bem, lance 1d20 e some ao valor de uma perícia. Contudo, há muitas nuances que podem ser apresentadas. Modificadores circunstanciais e habilidades únicas podem alterar bastante sua sorte, sendo o próprio sucesso do teste condicionado a circunstâncias narrativas. Atingir o valor da dificuldade 12 indica um positivo com erro, que seria o sucesso com um custo.

A moralidade ou os pressupostos éticos são mensurados em NeoGhaluni por meoi da Conduta. Ousadia, Disciplina e Bondade são atributos que também entram em jogo, concedendo modificadores e elementos circunstanciais que afetam diretamente a experiência de jogo. Em outros termos, se você possui Bondade 1 (um valor baixo) e está agindo de forma cruel, você recebe um bônus em seu teste ou pode refazê-lo caso falhe, contanto que você interprete de qual forma sua vilania não deixou, por exemplo, você deixar o seu adversário viver, ainda que desarmado.



Fantasia Heroica Urbana
No lugar de um cenário medieval, aqui temos robôs, motos, automóveis, aviões. As armas de fogo estão banidas por uma questão relacionada à política internacional, porém os conflitos internos não são poucos. Muitas são as motivações para ser um aventureiro em NeoGhaluni. Você pode ter a sua profissão comum, ser um mercenário contratado ou ainda um viajante. Há muitas possibilidades de jogo para se aventurar em Alfel, o continente densamente apresentado no jogo.

A História
NeoGhaluni é uma terra que se reconstruiu após um apocalipse. Deuses e homens guerrearam e uma deusa se sacrificou, garantindo a permanência da vida do mundo. No passado, repleto de tecnologia, robôs eram criados em construções chamadas de Matrizes de Vida, sendo os mesmos o ápice do desenvolvimento humano. Contudo, após o cataclismo que quase assolou completamente a humanidade, a tecnologia bélica foi restringida e as políticas internacionais fornecem inúmeras fontes de tensão para esse novo mundo que se apresenta.



As questões principais
Para além da criação dos personagens e de sua Conduta, temos 3 grandes questões que determinam a sua visão de mundo em NeoGhaluni. A primeira se relaciona aos ditames da política internacional, o chamado Tratado de NeoGhaluni. A segunda se refere à presença de robôs na sociedade, uma vez que uma Matriz de Vida foi recém-encontrada. E a terceira refere-se à legalização dos mercenários. Há diferentes respostas possíveis e elas são atreladas à construção de seu protagonista, atrelando-se a sua conduta, classe, raça e demais meandres do jogo.

NeoGhaluni e o Lampião
NaoGhaluni será disponibilizado à venda em poucos dias e a ideia é mantê-lo, bem como demais produtos do Lampião, munidos de suporte, aventuras e demais ideias.

Confira o vídeo dos autores sobre a obra:


terça-feira, 14 de março de 2017

Pirataria e RPG - uma contribuição ao debate


Pirataria e RPG
- uma contribuição ao debate -

Em um interessante artigo do Encho Chagas no RPGNotícias sobre pirataria (ler AQUI) ele deixa no ar o debate que deve ser levado à cabo nos próximos tempos – como fica a relação entre a distribuição (ou acesso) gratuito (permitido ou não) de material de RPG e o mercado de RPG em si? Pergunta nada fácil de ser respondida e à qual vislumbro não ter, na verdade, uma resposta.

Sem ter que repetir aqui os argumentos do Encho, tampouco transcrever todo o seu artigo (link anteriormente) quero deixar uma contribuição para possivelmente engrossar e complicar ainda mais o debate, mas que se faz necessária.

O artigo Pirataria no RPG mostra um trabalho de pesquisa e análise do Encho como poucos e centrado no viés econômico da questão – o mercado do RPG e o impacto que este sofre da pirataria. Sabemos que por mais que o RPG seja um hobby amado por todos nós, ele já assumiu o caráter de negócio para muitos. Vide o crescente leque de editoras, produtos e produtores de conteúdo que tentam, se não viver disso, pelo menos ter algum ganho. E não há nada de errado nisso (antes que venham me buscar com seus forcados). O RPG ter se tornado um negócio não é errado, assim como produtores de conteúdo não é errado, assim como o debate do impacto da pirataria também não.

Quero ir um pouco além e ao lado no debate. Como já disse aqui mais de uma vez, vejo o RPG não só pela sua diversão, mas principalmente por tudo o que ele pode proporcionar de benefícios para seus jogadores. Desde desenvolvimento cognitivo, incentivo à produção criativa, formador de caráter (quando bem direcionado) e mesmo virar uma profissão. Para que isso seja maximizado ele precisa ter um acesso amplo – algo que com toda a certeza influencia diretamente o mercado.

Como que isto se liga ao tema pirataria. Como tudo que se torna um negócio, acesso significa vender uma ideia - que estará representado por sistema/cenário/mecânica/título, ou seja, um produto, não importa o quê - que estará vinculado à uma produção intelectual de alguém ligado ou não à uma empresa. Isto é ponto pacífico. Se alguém cria algo quer ser reconhecido/pago por sua produção. Por que coloco reconhecimento e pagamento juntos. Pois para muitos o reconhecimento (download, uso e feedback) é o seu pagamento. Como que para outros, como muito bem o Encho colocou em seu artigo, a distribuição gratuita (sem pagamento) é uma estratégia de mercado também. De qualquer forma temos aqui a noção (sem querer cair em terminologia econômica) uma relação produção/ganho.

O RPG tem se reduzido à isso.


Por mais que tenhamos paixão pelo RPG e a tenhamos representado com a produção e criação de material, no final das contas ele tem sido um produto para ser comercializado. Ninguém procura montar uma editora por hobby. Ninguém pesquisa títulos estrangeiros para serem traduzidos e publicados no Brasil por pura falta do que fazer. Ninguém edita revistas de RPG, cobrando por elas, por puro prazer. São tudo facetas do negócio que se tornou o RPG. E repito – não há nada errado com isso.

Dentro desta lógica a pirataria é um elemento nocivo à todos os que fazem do RPG um negócio. É o mesmo que, eu sendo professor e ganhando por aluno assistido com minhas aulas, de repente esses alunos resolvessem aprender via youtube. A pirataria fere o ganho dos produtores de conteúdo ligado à RPG. Um complicador à este problema é de raiz moral (se é que podemos dizer assim) de que infelizmente muitos querem tirar vantagem mesmo não tendo necessidade (mas abordarei isso mais adiante).

Mas o elemento que desejo acrescentar ao debate é como casar este viés cada vez mais crescente do RPG como negócio com o acesso o mais amplo possível. Num primeiro momento alguém pode rapidamente me acusar de ser favorável à pirataria. Vamos avançar. Eu considero que o acesso ao RPG é primordial e deveria estar acima de qualquer outra coisa por todos os seus benefícios já citados dentre muitos outros (temos atualmente uma enxurrada de TCCs e trabalhos debatendo isso). Entendo perfeitamente as questões de mercado, mas quem sabe pela minha formação como professor, eu me preocupe com seus benefícios e como equalizar o problema.

Para ser mais claro. Não vejo na pirataria o problema em si no cenário brasileiro, pois ela cria acesso universal ao hobby e todas as suas nuances, indistintamente de cenário ou sistema ou mecânica ou editora ou autor. Vejo a pirataria como uma forma de pessoas que não teriam como pagar sete reais (como no debate da semana passada levantado por fãs e editores de uma revista de RPG) e que sim, são pessoas que existem no Brasil, de terem acesso aos benefícios do RPG. Essas pessoas e suas práticas não são o problema da pirataria. Como disse, o problema é moral. O problema da pirataria são pessoas que têm as condições de financiar seu hobby com maior ou menor facilidade financeira, mas que preferem se valer do jeitinho para conseguir de graça o mesmo material que poderiam comprar.

Aqui sim reside o problema da pirataria. Se pensarmos bem, aquele que poderia ser beneficiado com material não pago advindo da pirataria (mas que não tem condições ou tem muita dificuldade) não faria diferença em questões de mercado, pois ele não consumiria, em última análise, um livro de cento e tantos (quase duzentos) reais por razões óbvias (quase um quarto de um salário mínimo). Enquanto quem têm condições e acaba por piratear está lesando a editora pois ele realmente é o público alvo deste produto. A questão moral está em ter o poder de escolher entre comprar (com facilidade ou nem tanto) e piratear. E não me venham com o argumento de que “mas eu não posso comprar todos os títulos que desejo”. Isso é argumento típico daquele tipo de pessoa que se jogava no chão na infância quando seus pais recusavam em comprar algo, pois queria todos os modelos de tal tipo de brinquedo. Como eu disse – questão moral, ou ética, como preferirem. Neste tipo de rpgista é que está o peso para os ganhos do mercado de RPG e seus produtores de conteúdo!

Sei que isso pode trazer mil e um debates em paralelo indo de vieses sociológicos à políticos e não vou cair nessa arapuca, mas quem me conhece sabe que esta sempre foi uma preocupação minha em particular.

Com isto que vimos até agora temos a questão que deve ser ao meu ver a principal: como conscientizar os consumidores que têm condições de adquirir os produtos que desejam que não fazerem uso da pirataria? Acrescentaria aqui mais uma questão: como os produtores conteúdo de RPG veem o acesso ao público que está ainda de fora por n motivos, quase todos sociais ou financeiros, e que teriam na pirataria acesso ao RPG sem ferir seus ganhos?

Se conseguirmos equalizar esses dois elementos – moral na opção de usar ou não produto não pago e acesso universal – teremos um mercado forte, crescente e lucrativo, tendo ainda o bônus de culturalmente mais rico.

Espero ter feito jus á qualidade do material do Encho e contribuído ao debate com esta outra visão sobre o tema. E vocês... o que acham?

Financiamento de Dungeon Crawl Classics batendo recordes

Financiamento de Dungeon Crawl Classics
batendo recordes


Com um financiamento extremamente bem sucedido o Dungeon Crawl Classics (ou apenas DCC) está para ser, quem sabe, um recordista no Brasil no segmento dos RPGs. Chegando por aqui pelas mãos mais que competentes da editora New Order temos certeza que será mais uma longa história de sucesso e suplementos. Eu ainda não havia comentado sobre o DCC pelo simples motivo, que tenho que confessar, de conhecer dele. Ainda estou me habituando com sua mecânica e regras graças ao quickstart disponibilizado gratuitamente pela editora.

O DCC é uma forma diferente de encarar e jogar RPG old school, inovando desde a forma de criação dos personagens (apaixonante) e de condução do jogo, passando por toda a sua mecânica de cadeia de dados. É uma volta ao teor primal do RPG, como eles mesmos dizem – sema a necessidade de suplementos e cenários. O jogo em si é mortalmente (no melhor sentido da palavra) simples onde a emoção não para desde os primeiros instantes do jogo. Existe coisa mais instigante que o funil?E o melhor de tudo... jogamos 3d6 para ver os atribuitos!!!

Na própria página do financiamento há uma lista das diferenças do DCC em comparação à outros sistemas e mecânicas vigentes. Veja abaixo:

Se você é familiarizado com o d20 system (3.0 e 3.5):
- DCC RPG não possui classes de prestígio, ataques de oportunidade, talentos ou pontos de perícias.
- Classes e raças são uma coisa só. Você é um mago ou um elfo.

Se você é familiarizado com várias versões de AD&D:
- DCC RPG usa sistema de Classe de Armadura ascendente. Um camponês normal, sem armadura, tem CA 10, enquanto um guerreiro com armadura de placas tem CA 18.
- Todos os ataques, Jogadas de Proteção e testes de habilidade são feitos jogando-se 1d20, adicionando modificadores e tentando igualar ou superar um número.
- Há 3 Jogadas de Proteção: Fortitude, Reflexos e Vontade.

Não importa qual edição você jogou antes:
- Clérigos espantam criaturas que são hereges em relação a sua religião. Isso pode incluir mortos-vivos e outras criaturas.
- Todas as magias são lançadas com uma Jogada de Conjuração: o jogador rola um d20, adiciona certos modificadores e tenta conseguir um número alto. Quanto mais alto o valor, mais efetivo é o resultado. Cada magia tem uma tabela única que determina os efeitos da conjuração.
- Magos podem ou não perder as magias depois de lança-las. Um resultado baixo significa que o personagem não conseguirá conjurar a magia novamente naquele dia. Com um resultado alto, ele pode conjurá-la novamente.
- Magias clericais funcionam de modo diferente das magias arcanas. Clérigos nunca perdem a magia quando ela é lançada. No entanto, quando um clérigo tenta lançar alguma magia e falha, ele pode aumentar suas chances de “Falha Natural”. Até o final do dia, o clérigo pode falhar automaticamente em mais resultados do que somente um “1” natural.
- Existem tabelas de acertos críticos. Personagens de níveis altos e personagens marciais geram acertos críticos com maior frequência e jogam em tabelas com resultados mais mortais.
- Você pode queimar pontos de atributos para melhorar jogadas de dados. Todos os personagens podem queimar Sorte; magos e elfos podem queimar outros atributos.


Como eu disse, ainda estou me familiarizando com o sistema que já estou amando. Para uma melhor compreensão veja a página do financiamento, baixe leia o quickstart e veja ali a indicação de outros blogs com resenhas pormenorizadas. O que posso dizer é que ainda restam alguns dias de financiamento para que você possa garantir o seu exemplar... Corra!!!