domingo, 29 de março de 2009

Material de Apoio - Lâminas

MATERIAL DE APOIO – LÂMINAS
- ESPADAS -


Pode parecer fácil falar sobre espadas, adagas etc. Algo que inunda a história e as estórias de todo o nosso imaginário sobre o mundo de fantasia. Algo sempre presente no mundo do RPG. Mas quando avançamos sobre o tema percebemos o tamanho do problema. Um ótimo problema.

Logo que o nosso colega – Júlio “Julioz” Oliveira – ingressou na Confraria ele me perguntou, muito empolgado com o Material de Apoio Navegação que eu iniciara havia pouco, por que não fazer um cujo tema fossem as espadas. Ele preparou um texto prévio e me repassou.

Numa primeira olhada parece simples assim. Mas conforme vamos indo mais e mais à fundo vamos tomando noção da dimensão incrivelmente variada e extensa do tema. Acrescentamos algo aqui, pesquisamos um pouco mais ali e não mais que de repente temos um mega-projeto nas mãos.

E foi assim. Aquele texto transformou-se em um grande projeto. Tão grande que aquilo que pensávamos poder ter como tema central as Lâminas em geral, terá de ser particionado.

Este é o projeto que vamos iniciar hoje com uma pequena introdução.


História da Espada

Pensar em espadas é pensar a história de pelo menos os últimos 3000 anos. A idade do Bronze estava em seu auge. Os homens aprendiam a trabalhar com formas diferentes de metais. A cada dia descobriam uma forma nova, um metal novo. Antes disso, no início da Idade do Metal, o caminho mais fácil (e porque não dizer lógico) foi a criação de adagas e facas de metal tentando imitar aquilo que conheciam e produziam de pedra (não foi iniciar uma palestra antropológica sobre isto) por isso era inevitável que formas pequenas fossem as primeiras a serem testadas em metal.

Na Idade do Bronze foi a primeira vez que forjou-se lâminas longas (longa em comparação às adagas e facas, e em forma de folha) e com cabos. Foi o exercício do conhecimento adquirido em uma infinidade de experiências realizadas por eles. As primeiras forjas foram de cobre, que produziam espadas com pouca resistência. Posteriormente passaram a usar bronze, ferro.

Como qualquer outra evolução tecnológica, o estímulo para a evolução da espada veio de três fatores – facilidade de manusear, resistência da arma e valor para produção (ou a relação entre facilidade de produzir/dificuldade de encontrar a matéria-prima). Com esses fatores deu-se o desenvolvimento, não só das espadas, mas de todo e qualquer “equipamento”.

Com isso a espada começou como uma peça única de metal indo da lâmina à empunhadura. Algum tempo depois ela ganhou revestimentos para a empunhadura por uma questão de conforto e para facilitar o manuseio. Mas mesmo com esta evolução ela permaneceu curta e permaneceria por muito tempo ainda. Na Grécia antiga suas principais representantes eram a Phasganon e a Xiphos, enquanto no Império Romano havia o famoso gládio (cuja principal evolução foi a Spatha).

Já durante o Império Romano algumas mudanças ocorreram. Uma das principais vantagens estratégicas militares, do Império Romano, era a utilização da cavalaria. Inicialmente eram usadas lanças que se mostravam muito eficientes num ataque veloz de carga, mas à curta distância eram completamente dispensáveis. Depois da carga teriam de largas a lança e usar o gládio. Mas pelo curto comprimento da lâmina mostrava-se mais ineficiente sobre o cavalo, obrigando-os a descer do animal. A solução foi procurar uma arma que pudessem usar de forma eficiente sem descer do cavalo. Surgiam assim as primeiras espadas longas da história – as Spathas. Elas podem ser consideradas como o verdadeiro ponto de partida para a grande maioria das espadas que surgiriam daí para frente na Europa.

Curiosidade: A palavra ‘ESPADA’ vem do latin spatha (espada longa e reta romana de cavalaria), e anteriormente, do grego spathe. Por esta definição sabres e katanas não seriam espadas. Por definição elas seriam uma arma branca de um ou dois fios numa lâmina reta cortante ou perfurante e com uma empunhadura.

Junto aos povos “bárbaros” (escandinavos e vikings) havia uma variação da spatha romana. Era uma espada relativamente curta, de uma mão e com as duas laterais afiadas.

A espada curta romana – gládio- serviu como base para toda uma gama de evoluções. Inicialmente teriam o que chamamos de Arming sword. Também conhecida por espada-de-uma-mão ela seria a espada típica no início da Idade Média. Todo o início da história dos cavaleiros foi casada com a utilização dessa espada. As arming sword eram simples e curtas e normalmente sem adornos.

Elas deram origem aos três tipos principais de espadas que foram usadas por quase toda a Idade Média: as broadswords, sideswords e longsword (está mais próximo do que seria a Spatha romana). [Nota: vou usar os nomes originais por serem mais comuns para que todos possam usar como base para pesquisas].

Estes três tipos de espadas foram usadas por mais de três séculos e eram a arma mais amplamente usada nas guerras e combates por toda a Europa.

Nesta época, junto com a evolução das novas espadas, elas começam a ganhar um elemento à mais, um elemento simbólico. Os nobres, a classe de guerreiros que se valiam amplamente das espadas, começaram a usa-las mesmo quando estavam sem as pesadas armaduras, dando um rosto à lâmina. Elas começaram a encerrar em si um simbolismo de poder e nobreza.

Um outro segmento de espadas surgiram na Idade Média, uma espécie de variação da Spathas romanas. As conhecidas greatswords (ou grandes espadas) eram normalmente usadas (e conhecidas também) por espadas-de-duas-mãos. Eram espadas para combates pesados e que requeriam técnicas específicas para seu manuseio.

Por algum tempo não houveram mudanças significativas. Então surgiu um segmento novo – os rapiers. Eram espadas mais leves com uma proteção ornamental para o punho baseavam-se mais nos golpes de perfuração do que de corte. Estávamos em 1500, mais ou menos, em plena época dos duelos. Junto com as inovações que esse novo tipo de espada trouxe tivemos o incrível surgimento de inúmeras escolas de combate com elas divididas basicamente nas escolas alemã e italiana.

Depois das rapiers, como inovação, tivemos algo novo apenas com as basket-hilted sword, originadas de uma junção das sideswords e dos rapiers no século XVII. Daqui saíram quase meia dúzia de outras espadas.

Outros tantos tipos de espadas apareceram por toda a Europa, mas sem criarem linhas ou linhagens. Eram mais pontuais, mas não menos importantes.

Este tipo de histórico é interessante, principalmente quando se joga ou se escreve algo relacionando à RPG, pois muitas vezes pecamos (e não quero fazer aqui uma apologia à falta de liberdade nos jogos) misturando espadas ou estilos totalmente estranhos em suas épocas. Claro que em cenários longe da nossa realidade – Tormenta, por exemplo – não existe parâmetro para isso, sendo a liberdade a regra mais usada.
João Eugênio Brasil

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