sábado, 19 de junho de 2010

Zumbis em Porto Alegre 11

Zumbis em Porto Alegre

Anotação 11

Vou continuar contando aquele horror que foi o aniquilamento do pessoal que estava no condomínio ao lado de nosso prédio. Esses dez dias culminaram naquele momento. Acho que depois daquilo é que tivemos mais um impacto de como as coisas não voltariam a ser. Mas cada desventura que tínhamos nos rendiam um bom aprendizado. Como aquele enorme grupo de zumbis bem ao nosso lado percebemos algumas coisas.

Eles, embora, muito difíceis de matar e com uma força desmedida, rapidamente perdiam a atenção em algo se não chamasse mais sua atenção, principalmente no que diz respeito à movimento. E mesmo o movimento lhes chamava muito menos a atenção do que o som. Notamos que alguns minutos depois deles terem dizimado as pessoas que estavam no pátio do condomínio eles foram parando e ficando no lugar. Aqueles que haviam se trancado em algum apartamento estariam seguros se mantivessem o silêncio absoluto.

Aquela noite foi quase impossível dormir. Mantivemos vigia constante e criamos uma forte barricada na porta de entrada do prédio por medida de segurança. Mas eles ficaram lá, sem se mexer por toda a noite. Tivemos dificuldade em acalmar Ana e Bety. Por sorte um tranqüilizante fraquinho deu conta do recado. Tudo o que elas precisavam era um pouco de descanso, e nós de tranqüilidade.

Tínhamos de nos livrar deles de alguma forma. Tanto pelo perigo, quanto pela enorme quantidade de recursos que estariam perdidas naquele monte apartamentos.

Você pode estar achando que era um pensamento mesquinho demais para aquela situação. Mas discordo. Era a nossa sobrevivência e tínhamos de nos manter vivos nem sei até quando.

Nos próximos dias começamos a raciocinar quais nossas alternativas. O Michel teve uma idéia absurda que, com o tempo, não pareceu tão absurda assim. Segundo ele sugeriu que tentássemos fazer ali no condomínio o mesmo que fizemos no edifício do nosso outro lado.

Mas como fazer isso? A nossa experiência nesse inferno começou a funcionar. Se o som era algo que atraia aquelas coisas como abelha no mel, tínhamos de ‘criar’ uma distração, uma espécie de chamariz. Para colocar o plano em funcionamento gastamos pelo menos 2 dias nos preparando e criando coragem.

Contamos pelo menos uns cem zumbis naquele pátio. Era muita coisa. Embora lentos eram mortais pela quantidade. Tivemos a idéia de criar algum tipo de som alto em frente ao prédio do nosso lado. Isso era fácil. Pegamos um microsistem qualquer, em um dos apartamentos, e deixamos o volume dele no máximo. O Michel o posicionou encostado ao portão de entrada do prédio ao nosso lado e voltou para o nosso pátio. De lá só teríamos de acionar o controle remoto.

O plano era fácil. Ligaríamos o som e veríamos se isso dava resultado chamando a atenção dos monstros. Se desse torceríamos que ele seguissem o som e fossem saindo do pátio. Dando certo até ali iríamos pular o muro e fechar os portões. Seria muito mais fácil de acabar com os monstros se fosse apenas um punhado deles.

O Michel se posicionou no muro com o controle remoto. A Juliana ficou no terraço controlando a movimentação das criaturas e dando informações para o nosso grupo e para o Michel. Dona Silvia ficou controlando as meninas. Seu Arthur ficou responsável pela escada. O resto entraria no pátio matando o que ainda estivesse ali e tentando fechar o portão o mais rápido possível, isolando a área.

O risco valia. Tinha muito mantimento ali que não poderia ser perdido, além de tudo o que poderia ser útil em algum momento, inclusive uma ou duas armas e munição, o que era fundamental.

Vou continuar amanhã. É muito cansativo e está muito frio hoje. E daqui a pouco irei para o rádio conversar com o grupo de Curitiba.

Um comentário:

marcus disse...

Caramba... quando vi a primeira história, me contive... pensei: Como fiz com os contos do Betão, não vou ler até ter ao menos uns 5 ou 6 posts... e não me arrependi nem um pouco! muito bom seus textos, cara!! Continue assim!