terça-feira, 26 de outubro de 2010

Diário de um escudeiro - 32

Segundo dia de Lunaluz de 1392

Seis meses se passaram nesta minha nova vida. Neste meio tempo, a última coisa que tenho tido é condição física de escrever em meu diário, embora seja algo que me de muito prazer.

Sou consumido pelo cansaço e pela fadiga. O treinamento me consome até a última gota de suor.

Lendo as páginas anteriores quase não acredito que apenas seis meses antes eu era um escudeiro, com muito orgulho. Como meu avô e meu pai, sonhava em ter muitas aventuras para contar ao lado de um senhor de armas, um mestre. Mas o destino não quis assim.

Desde cedo eu via os cavaleiros, e as histórias fantásticas contadas à beira da fogueira lá de casa por meu avô colaboraram para isso, como senhores íntegros, altruístas e nobres. E alguns realmente o são, com seus votos de pobreza e seus códigos de ajuda ao próximo. Mas eles são muito poucos.

Aprendi, ainda como escudeiro, que embaixo das armaduras existem apenas seres humanos. Como eu. Cheios de defeitos, ou não, mas apenas humanos. Alguns poucos realmente bons. A maioria não.

E mesmo assim eu ainda os admirava, pelo menos até ser o escudeiro de um deles. E sem querer, sem saber ao certo o que realmente são, fui jogado neste mundo. Deitei como um escudeiro e acordei como um cadete. Não que isso seja uma novidade. Muitos seguem este caminho. Mas a novidade era minha condição humilde e minha total falta de pretensão de ser um dia um cavaleiro.

Não que eu não sinta orgulho desta posição. Apenas nunca me imaginei nela. Depois daquele festival, no outono, minha vida mudo para sempre. O convívio com pessoas novas e diferentes de mim, de realidades diferentes da minha, tudo isso têm me trazido experiências novas e gratificantes. Como imaginar que eu estaria em Norn, vivenciando seu dia a dia.

Na última vez que escrevi nestas páginas eu tinha como aspiração maior ajudar alguém a fazer a diferença. Hoje eu sou aquele que pode fazer a difernça.

Um comentário:

Sergio Paiva disse...

Ou você viveu o caminho em outras vidas ou esteve bem próxio de nossos muros. Prossiga.