quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Zumbis em Porto Alegre 17

Zumbis em Porto Alegre

Anotação 17
Durante as duas semanas que se seguiram conseguimos fazer uma rede significativa de contatos, pelo menos para aquela situação. Além do pessoal de Curitiba havíamos contatado grupos em Piracicaba, São Paulo, Caxias do Sul, Fernando de Noronha e Manaus. Fora do Brasil encontramos um americano, um grupo nos Andes do Chile, e dois grupos em Buenos Aires. Essa situação nos trouxe um alento. Não estar sozinho era uma benção e, por mais que soubéssemos que era uma fantasia, nos trazia esperança.

Além disso, a grande valia desses contatos foram as trocas de informações. Em cada local haviam experiências diferentes, mas todas válidas. Cada detalhe era importante para todos. Por exemplo, tivemos a confirmação de que a vida era muito mais fácil em locais isolados, pois era muito mais fácil de matá-los quando isolados e deixar uma boa área segura. Locais frios também os deixavam mais lentos. Esses dois exemplos foram atestados pelo grupo de cinco pessoas que estavam isolados na pequena vila andina. Mas o problema deles era conseguir recursos, ainda mais que logo seria inverno. Manaus também tinha essa facilidade devido ao relativo isolamento

Já o pessoal de São Paulo não tinha qualquer problema com recursos, ainda mais numa cidade daquele tamanho. Mas lá haviam nada menos do que onze milhões de zumbis. Os paulistas, que eram em quinze sobreviventes, tinham noção de que haviam outros grupos, por pequenas comunicações à distância por intermédio de luzes picando e sons de tiros. Mas como tudo por lá é em proporção gigantesca, as dificuldades também eram. Os dois grupos de Buenos Aires também tinham essa noção e problemas.

Já Fernando de Noronha era um caso especialmente positivo. O isolamento extremo do arquipélago lhes dava uma grande tranqüilidade. Quase toda a população havia erradamente fugido para o continente. Ficaram por lá uns poucos trinta, entre militares e civis. Todos sabemos das facilidades de uma ilha tropical. Tudo seria uma questão de adaptação deles quando a energia e o combustível terminasse. Com eles foi estranho. Perdemos o contato, mas até hoje não temos certeza do que aconteceu pois o contato foi cortado pelo racionamento ou término do combustível para os geradores. Provavelmente estão tomando banho de sol e comendo peixe até hoje.

Caxias do Sul e Piracicaba eram cidades parecidas, tanto nas vantagens quanto nas dificuldades. Menores que uma capital, mas com populações consideráveis elas davam a idéia, para seus sobreviventes, de uma falsa segurança. Tanto é que esses foram os primeiros contatos q ue perdemos. Em ambos os casos eles foram perdendo membros em ações desastrosas até que perdemos totalmente o contato.

Nos Estados Unidos o contato foi curto – apenas uma semana. Eram nove pessoas escondidas dentro de uma escola na cidadezinha de Stuart, em Oklahoma. Quase todos idosos e crianças. Sabíamos que eles não tinham muita chance por lá.

Trocamos informações sobre táticas para combater os monstros, armazenar alimentos e água e até mesmo algumas dicas sobre eletrônica. Eram verdadeiras rádio-conferências. Sempre na mesma hora, com todos, para economizarmos energia.

E assim passamos tranqüilas duas semanas. Depois disso os contatos foram escasseando significativamente até que ao final da quarta semana já não tínhamos mais nenhum contato, além dos paulistas e dos andinos. Com eles ainda conseguimos manter contato por mais duas semanas. Em São Paulo as informações terminaram quando eles ficaram sem comida e iriam tentar trocar de lugar para ficarem mais próximos de recursos, mais para a periferia. Em Curitiba eles estavam ficando com dificuldade de conseguir energia elétrica e na última comunicação que tivemos mais da metade do grupo havia se perdido quando tentaram pegar umas baterias de caminhões num estacionamento.

Claro que a tranqüilidade que eu disse era apenas aparente. Muita coisa aconteceu nesse meio tempo que não estava nos nossos planos, quase sempre dificuldades e problemas. O primeiro grande desafio que tivemos foi quando numa bela manhã descobrimos que a água estava vindo turva Mas isso será contato aos poucos.

Um comentário:

Lukas = Yamakusa = disse...

Agora é só manter um ritmo de postagem, uma por semana ia ficar legal =D