terça-feira, 5 de abril de 2011

Zumbis em Porto Alegre 22

Zumbis em Porto Alegre


Anotação 22
Depois do momento de descontração, após limparmos a área dos zumbis, voltamos à realidade. Estávamos com tudo certo, mas ainda tínhamos de encontrar uma forma de levar aquela água toda para nosso refúgio. Ou pelo menos uma forma de termos acesso à ela, mas sem a preocupação de ter de passar por aquilo tudo à cada vez. E para completar o dia estava correndo rápido. Àquela altura já deveria ser mais de meio dia e com toda a certeza nenhum de nós iria gostar de ficar longe do nosso esconderijo à noite.

Ao mesmo tempo sabíamos que qualquer que fosse a solução era serviria apenas por algum tempo, pois logo aquela água também estaria imprópria para o consumo.

Conforme íamos descartando as alternativas absurdas nos restaram apenas duas. A primeira delas seria deixarmos o portão dos fundos destrancados para termos um acesso mais fácil ao pátio. Mas isso também deixariam o acesso facilitado as monstros, não nos ajudando em nada. A segunda, e que por mais absurdo que fosse, acabou sendo a escolhida veio do Renan. Ele conhecia aquele supermercado como a palma de sua mão. Sua sugestão pareceu uma loucura, de início, mas logo se mostrou a única alternativa.

A idéia seria usar as mangueiras de combate à incêndio que estavam no hipermercado e uni-las, umas três pelo menos. Assim poderíamos ligar as mangueiras à saída de água que estava mais próxima do muro na direção de nosso esconderijo e levá-la até o terreno do prédio. Vocês também devem estar achando isso um absurdo, mas o que não é neste mundo de horror.

Até aqui tudo estava resolvido. Só havia um detalhe. Para fazermos isso precisaríamos de pelos menos duas juntas de união, a peça utilizada para unir extremidades de mangueiras. E segundo o Renan, o Carrefour tinha apenas uma peça dessas. Nos faltava uma ainda.

Quando descobrimos que ainda faltava esta maldita peça, quase que instantaneamente olhamos todos para o outro lado do terreno do Carrefour. Mais especificamente para o outro lado da avenida Bento Gonçalves, bem aonde ficava um pequeno posto de bombeiros que servia àquela região leste de Porto Alegre. Havia uma quase certeza de que haveriam essas peças por lá. Parecia uma piada de mau gosto. Depois de todo o sacrifício para chegar ali, ainda teríamos de sair para catar essa peça.

À esta altura estávamos novamente sobre o teto do hipermercado para podermos visualizar melhor nossas possibilidades. O caminho seria ingrato. Para chegar ao posto dos bombeiros teríamos de andar muito. Ou atravessaríamos todo o pátio de estacionamento dos Carrefour, subindo as escadas para a avenida Bento Gonçalves e saindo quase na frente dos bombeiros, ou teríamos de sair por um dos portões laterais e subir a rua até a avenida Bento.

Tivemos de pensar rápido, pois o tempo estava se esgotando e não sabíamos quando teríamos a mesma condição de fazermos aquilo novamente.

Após alguma discussão concordamos que aquela seria a nossa melhor, senão única, alternativa. Decidimos então nos dividir para que pudéssemos trabalhar mais rápido. Eu e o Paulo iríamos até os bombeiros, enquanto o Renan e o Raul iam arrumando as mangueiras.

Antes de sairmos o Renan mandou que esperássemos e correu para dentro do Carrefour pela abertura no teto e voltou um pouco depois. Ele trazia uma sacola e de dentro tirou alguns walktalk da segurança do estabelecimento.

“- Isso deve ter bateria suficiente para agora!” – disse o Renan me passando um enquanto explicava como funcionava para o Paulo.

Verificamos nossas armas e munição, pegamos alguns bastões e providenciamos uma escada. Era óbvio que não poderíamos passar por dentro do hipermercado novamente. Teríamos que ir por fora.

Os zumbis ainda estavam entretidos com o alarme do carro que nosso pessoal mantinha funcionando. Isso teria que servir para nos manter mais ou menos seguros. Havíamos decidido cruzar o estacionamento. Mesmo havendo uma enormidade de carros espalhados pelo pátio misturados com carrinhos de compras ainda assim seria muito mais rápido e seguro. Já havíamos visto lá de cima que haviam apenas uma meia dúzia de zumbis espalhados e poderíamos passar por eles com os bastões e sem chamar a atenção. Se tudo desse certo poderíamos ir e voltar em dez minutos.

Pena que não deu.

Nós levamos um fuzil, uma calibre 12 e duas pistolas. Nossa munição não era eterna, então teríamos de usar com cuidado enquanto não achássemos outra fonte.

Descemos a escada e chegamos à frente do hipermercado. Me sentia como num filme de ação. Acho que já disse isso antes. Bem ... quando chegamos ao chão ficamos em alerta total. Ao mesmo tempo que os carros serviam como obstáculo, também funcionam como proteção. E aquele mar de carros véu bem a calhar. Decidimos avançar sem enfrentar nenhum zumbi pelo máximo de tempo possível e isso deu muito certo. Em poucos instantes já havíamos cruzado o pátio e estávamos ao pé da escada que levava à rua.

Eu notei de imediato que ali, naquele ponto, o som do alarme já era muito baixo. Então era óbvio que ele não deveria ter servido para atrair zumbis deste ponto. Em resumo – provavelmente teríamos muito mais monstros para enfrentar aqui.

Subimos as escadas e chegamos ao nível da rua. A visão não era nada animadora. Primeiro, aquilo tudo estava uma zona. Automóveis e ônibus abandonados ou semi destruídos, cadáveres espalhados. Segundo, uma quantidade considerável de zumbis, uns vinte até onde conseguíamos enxergar. Eram cem metros perigosos, mas que teríamos que atravessar.

Lembro que dei uma olhada para trás e vi o Renan e o Raul nos observando antes de começarmos a correr.

Saímos correndo meio abaixados ziguezagueando pelos carros. Tivemos que derrubar uns três monstros até chegarmos perto da entrada do prédio dos bombeiros. Tinha sido até que bem fácil até ali. Dentro do prédio aparentemente não havia nenhum zumbi, o que era um alívio. Avançamos confiantes.

Fomos nos aproximando já imaginando onde poderia estar as peças que precisávamos. Lógico que todo o resto que pudéssemos pegar e que fosse útil também seria levado por nós.

Entramos com cuidado. Esta não era uma simples incursão pelos nossos prédios vizinhos e abandonados. A morte poderia estar em qualquer lugar. Avançamos passo à passo. Haviam cadáveres de alguns infelizes bombeiros que não tiveram sorte de escapar. Os materiais estavam todos espalhados pelo chão do prédio numa enorme bagunça. Não seria fácil encontrar o que procurávamos.

Foi só nós colocarmos os pés lá dentro e nossa sorte começou a mudar. O Paulo, logo que chegou perto de uma pilha de materiais e tentou soltar alguns para ver por baixo, derrubou uma montanha de coisas que fez um enorme estardalhaço. Se aquilo não chamasse os zumbis de quilômetros de distância eu não saberia o que mais os chamaria. Dito e feito. Ficamos parados para ver o resultado de nosso acidente e logo a movimentação lá fora começou.

Estávamos presos.

Corremos para dentro do prédio por uma porta lateral que dava para uma escada. Fechamos ela e providenciamos uma barricada bloqueando-a. Estávamos sem saída.

4 comentários:

Lukas = Yamakusa = disse...

Oxi, já to sentindo falta dos zumbis =D

João Brasil disse...

É para hoje mesmo!!!!

Lukas = Yamakusa = disse...

No aguardo e ansioso =D

Verônica Beatriz disse...

Esperando o próximo capitulo...^^