sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Zumbis em Porto Alegre - Parte 2 - Anotação 1


Anotação 1
Tudo o que escrevi até agora foi o que nos aconteceu até o dia de hoje. Eram as memórias mais vívidas, ao mesmo tempo que mais assustadoras. Desde a nossa última aventura fora do refúgio, indo até os quartéis, não saímos mais até tão longe. Apenas algumas idas aqui e ali para verificar as caixas d’água que pegavam água da chuva ou para ver o movimento dos zumbis.

Mas já faz algum tempo que temos discutido da possibilidade de sairmos daqui. Procurar algum outro lugar com menos monstros. Com mais possibilidades. Com mais segurança.

As provisões não são nossa preocupação de imediato. Tivemos muita sorte em conseguir comida e outros bens de primeira necessidade por aqui ao redor e no Carrefour. Mas e quando eles acabarem? Devemos ou não esperar até uma situação limite para nos aventurarmos fora daqui? E o nosso contato em Curitiba? Valeria à pena juntar forças com eles? São muitas questões e pouquíssimas certezas.

Essas últimas semanas têm sido de frio e debates. O inverno está mais rigoroso que de costume, ou pelo menos nossa percepção nos engana para isso. Quanto ao debate ao redor da fogueira improvisada nas garagens do prédio não nos trás consenso, muito menos certeza.

Temos que pesar muita coisa. Somos um grupo relativamente grande. Precisaríamos de dois veículos para nós mais um para os mantimentos e provisões. Pode até parecer exagero querer levar tudo conosco, mas sem pensarmos bem nosso lar é o que levarmos conosco. Em um mundo totalmente novo como este não podemos nos dar ao luxo de deixarmos qualquer coisa para trás. E não falo somente de alimentos ou medicamentos, mas qualquer coisa passa a ser rara neste mundo.

Os mapas que pegamos no posto da Brigada Militar quando fomos aos quartéis nos deram boa uma idéia de como a cidade estava perto de seu colapso. Quais ruas haviam sido bloqueadas e quais as tentativas de frear o avanço dos monstros. Segundo os mapas as pontes sobre o arroio Dilúvio, onde ficava a avenida Ipiranga haviam sido quase todos explodidos, dividindo a cidade em duas porções quase intransponíveis. Segundo o mesmo mapa haviam duas pontes ainda intactas em cada extremidade da avenida – no cruzamento da avenida Beira Rio e no cruzamento da avenida Antônio de Carvalho, este último à apenas algumas quadras de nós.

O mapa ainda mostrava a forma como a epidemia foi se desenvolvendo em Porto alegre. Tudo nos servia para juntar informações valiosas. Logo em nossa chegada à Porto Alegre, quando voltávamos de Santa Maria, no início de tudo, vimos que bloqueios estavam tentando manter as os zumbis longe da entrada da freeway, no cruzamento para Cachoeirinha. Isso significava, no mínimo, que a zona norte de Porto Alegre já estava nas mãos dos monstros. A tentativa do Raul e do Paulo de irem para a zona sul e não conseguirem chegar nem na avenida Aparício Borges também nos mostrava que mesmo que a zona sul estivesse em melhores condições, haveria uma barreira de mortos por ali e que as explosões que provocamos nos quartéis deveriam ter atraído ainda mais monstros para aquelas bandas.

Hoje acabamos tocando no assunto de forma mais direta. É uma decisão difícil. Aqui temos, bem ou mal, abrigo seguro tanto dos monstros quanto das intempéries do tempo. Temos muitos recursos e local para conseguir mais por algum tempo. Mas a mesma pergunta vem à nossa mente e em nossas discussões – mas e depois?


Vamos votar daqui a alguns dias. Ainda somos civilizados. A maioria vence.

3 comentários:

Amon disse...

Não preciso dizer em como fico feliz quando você continua está história. Valeu!
Amon

Anônimo disse...

Opa! gostei muito da primeira parte dessa história e fico feliz em ver que tem a parte 2. Espero que continue por muito tempo esta sequencia, pois é muito boa e emocionante de se ler. Continue nos dando esse prazer de ler suas incríveis obras João. Valeu \0/\0/\0/

João Brasil disse...

Estou devendo muito isso para os fãs que acompanham e prometo continuar em alguns dias!!!!

Obrigado pelos elogios!!!