sábado, 12 de julho de 2014

Zumbis em Porto Alegre - Parte 2 - Anotação 2


Anotação 2
A votação acabou não sendo tão apertada quanto eu imaginava. Pelo visto todos estão loucos para sair daqui e pelo menos tentar algo de novo. Depois que decidimos que nosso tempo em Porto Alegre estava acabando, e votamos, começamos a planejar o que fazer e como. Não imaginávamos que sair da cidade fosse tão simples como ir até os quartéis, que quase nos custou a vida semanas atrás. Nem seria tão fácil quanto ir pulando de telhado em telhado. Levaríamos dias, semanas, nem sei quanto tempo até conseguirmos realmente pegar a estrada.

Nisto nossa maior preocupação era garantir a sobrevivência até estarmos prontos, nos preparando da melhor forma possível. Foram alguns dias discutindo como fazer isso e a resposta era sempre a mesma – teríamos que nos arriscar, mas de uma forma cuidadosa. Não importava qual seria o nosso destino, tínhamos de estar prontos para tudo.

Teríamos de verificar uma rota por entre os zumbis e pela cidade abandonada, e parcialmente destruída, para chegar às estradas que levassem ao norte. Tínhamos que encontrar um meio de transporte, ou mais de um, adequado e seguro. Precisávamos de mais armas e munição. Precisávamos do bem mais valioso numa situação dessas – combustível. E isso era apenas o começo.

Essa tomada de posição foi muito boa, nos deu um novo ânimo. Depois de tantos meses, aquela visão utópica de que sobreviveríamos eternamente em nosso refúgio foi enfraquecendo e nos deixando cada vez mais pessimistas. Depois daquele contato por rádio, semanas atrás, com os sobreviventes de Curitiba, e agora com a decisão tomada, tivemos uma nova perspectiva de futuro. Pelo menos à médio prazo.

Os mapas que recolhemos no quartel nos davam algumas informações valiosas, mas que não tínhamos como ter certeza do quão precisas eram. Segundo os mapas quase todas as pontes que atravessavam o arroio Ipiranga, que divide Porto Alegre, haviam sido destruídas para tentar impedir o avanço dos zumbis. Além disso, eles mostravam que a praga avançou muito velozmente nas zonas sul e norte, nos deixando bem no meio.

Nossa posição até que não era de todo ruim, já que estávamos próximos da saída leste da cidade, em direção à Viamão e que nos levaria diretamente para o litoral, mas os mapas faziam um grande alerta sobre aquele caminho. Em resumo, tínhamos muitas dúvidas e quase nenhuma certeza.

Nossa melhor chance era não sairmos no escuro. Teríamos que ter uma boa noção do roteiro que iríamos tomar, pelo menos até o limite da cidade. Isso seria fundamental para a nossa segurança. Infelizmente a nossa rota acabaria tendo de passar pelo centro ou pela zona norte, para irmos na direção da free-way e de lá subir o litoral para o centro do país.

Teríamos de fazer algumas investidas para descobrir a melhor rota e isso seria mais perigo do que já havíamos enfrentado até aquele momento.

Semana que vem iremos pegar duas rotas diferentes e ver no que dará. Serão verdadeiras expedições dentro de Porto Alegre para avaliar por onde ir. Eu e o Michel iremos percorrer a Ipiranga até a Praia de Belas e ver quais pontes ainda temos realmente de pé. O Renan e o Raul irão subir a terceira Perimetral e ver se ela está livre o máximo que der.


Acho que isso levará mais do que um dia por isso já estamos preparando material para passarmos um ou duas noites fora. Vamos aproveitar que o frio deu uma amenizada de alguns dias, em meio à este inverno, e ir e voltar o mais rápido possível.

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